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Em Nome da Natureza

1.º lugar do Prémio Promove+ 2025. Projeto que propõe cruzar música, drama, fotografia e tecnologias sustentáveis, transformando o contacto direto com a Natureza numa experiência educativa e artística.

  • Filipe LopesFE - UTPorto
  • Poliksena HardalovaFE - UTPorto
  • João LealFMAD - UTPorto
  • Rodrigo MalvarFAP - UTPorto

O desafio

Em Nome da Natureza propõe aproximar a aprendizagem artística da experiência direta do mundo natural. Parte da ideia de que o conhecimento sobre os problemas ambientais precisa de ser acompanhado por oportunidades para observar, escutar e sentir os lugares que habitamos, reconhecendo a nossa relação com outras formas de vida.

O desafio pedagógico é transformar a floresta, a montanha ou a praia em espaços de aprendizagem, onde a música, o corpo, o teatro e a fotografia ajudam a explorar essa relação. A criação artística torna-se um caminho para desenvolver sensibilidade, pensamento crítico e envolvimento com questões de sustentabilidade, ligando o que se aprende à experiência vivida.

Objetivos de aprendizagem

A prática procura que os estudantes sejam capazes de:

  • Explorar ambientes naturais através da escuta, da observação, do movimento e da experiência sensorial.
  • Desenvolver criações artísticas que cruzem música, expressão dramática, corpo, fotografia e outras formas de expressão.
  • Relacionar a experiência artística com questões de sustentabilidade e com a relação entre as pessoas e o mundo natural.
  • Reconhecer a empatia e a atenção ao outro, incluindo outras formas de vida, como modos de construir conhecimento.
  • Refletir criticamente sobre o papel das tecnologias digitais na criação artística, na educação e na utilização de recursos.
  • Documentar e analisar o próprio percurso de aprendizagem, recorrendo a diferentes linguagens e suportes.
  • Conceber propostas educativas que possam ser trabalhadas com crianças, escolas e comunidades, ajustando-as aos respetivos contextos.

O que sustenta a prática

A prática assenta numa pedagogia relacional: aprender envolve estabelecer relações com outras pessoas, com os lugares e com os seres que os habitam. A natureza participa na experiência educativa através dos seus sons, ritmos, materiais e acontecimentos.

Esta abordagem valoriza uma relação atenta e sensível com o ambiente, próxima da ideia de «empirismo delicado». Observar, escutar e permanecer num lugar são formas de o conhecer. A caminhada ocupa um papel central, criando tempo para reparar no que nos rodeia, acolher o imprevisto e desenvolver ideias a partir da experiência.

O cruzamento entre arte, ciência, educação e tecnologia permite explorar diferentes formas de compreender o mundo. A música e as restantes linguagens artísticas abrem espaço à imaginação, à expressão e à reflexão sobre a sustentabilidade. A utilização de tecnologias alimentadas por energia solar acrescenta uma oportunidade para pensar a relação entre criação, consumo de energia e disponibilidade de recursos.

Como funciona

O percurso inicial prevê uma unidade curricular opcional, Música, Educação e Natureza, pensada para estudantes, a partir do segundo ano, de Educação Musical, Educação Básica, Teatro e Fotografia. A proposta combina trabalho assíncrono, sessões presenciais e um seminário intensivo de dois a três dias num espaço natural.

O trabalho desenvolve-se em momentos articulados:

  1. Preparação e aproximação ao território. As sessões e o trabalho autónomo enquadram as experiências artísticas e as questões educativas a explorar. A colaboração com um parceiro conhecedor do território e das comunidades locais, como a Binaural – Associação Cultural de Nodar, apoia a preparação da incursão.
  2. Experiência direta na natureza. Caminhadas silenciosas e percursos sensoriais convidam os estudantes a observar, escutar e conhecer o lugar através do corpo e dos sentidos.
  3. Experimentação e criação no local. A prática musical e dramática, a escrita criativa, a fotografia e a experimentação sonora permitem desenvolver propostas a partir do encontro com o ambiente. As atividades articulam-se com a discussão de temas como a sustentabilidade, a preservação ambiental e a literacia digital.
  4. Documentação e desenvolvimento das criações. Os registos e materiais recolhidos alimentam a reflexão e a elaboração de peças musicais, ensaios fotográficos, postais audiovisuais, performances e materiais pedagógicos.
  5. Partilha e transposição educativa. Está prevista a apresentação pública das criações e a sistematização de atividades que possam ser utilizadas em escolas e em contextos de educação não formal.

Num segundo momento, a unidade curricular Músicas do Mundo Natural, prevista para estudantes de diferentes cursos da Escola Superior de Educação, permitirá experimentar, adaptar e consolidar as propostas desenvolvidas. O percurso prevê também a integração destas experiências noutras unidades curriculares, criando continuidade entre o trabalho de campo, a criação artística e a formação pedagógica.

Avaliação da aprendizagem

A avaliação prevista valoriza o percurso individual, a reflexão sobre a experiência e a coerência das criações. O estudante participa no processo avaliativo através do diálogo com os docentes e os colegas.

Três dimensões orientam a avaliação:

  • Participação no processo de avaliação: envolvimento no diálogo sobre o trabalho desenvolvido e sobre a própria aprendizagem.
  • Reflexão e progresso individual: construção de um portefólio reflexivo que pode incluir notas, esquissos, fotografias, vídeos e outros registos que tornem visível o percurso.
  • Coerência educativa e artística: criação de artefactos que articulem a intenção, a forma de a comunicar e as escolhas artísticas e pedagógicas.

A diversidade de registos permite acompanhar como cada estudante interpreta a experiência, desenvolve as suas ideias e lhes dá forma. A apreciação qualitativa do processo acompanha, assim, a análise das criações apresentadas.

Como adaptar

A prática pode ser ajustada a diferentes áreas de formação, idades e contextos educativos, mantendo a ligação entre experiência direta, criação e reflexão.

Uma adaptação pode começar por uma saída a um jardim, parque, mata ou margem de rio próxima da instituição. O seminário de vários dias pode dar lugar a uma experiência mais curta, seguida de trabalho em aula. É importante reservar tempo para conhecer o lugar, experimentar formas de expressão e conversar sobre o que foi vivido.

A linguagem artística pode acompanhar os objetivos e as características do grupo: escuta e criação sonora em música; movimento e improvisação em teatro; observação e composição em fotografia; ou atividades que cruzem várias destas dimensões. Com crianças ou em educação não formal, podem ajustar-se a duração, os percursos e a complexidade das tarefas às possibilidades de participação de cada grupo.

Os recursos também podem ser simplificados. A voz, o corpo, o papel, o desenho e registos sonoros ou visuais simples permitem iniciar a exploração. O equipamento especializado pode ser introduzido quando fizer sentido para os objetivos de aprendizagem.

Para manter a continuidade pedagógica, cada adaptação pode incluir um momento de partilha, um registo reflexivo e uma criação acompanhada da explicação das escolhas realizadas. A colaboração com associações ou agentes locais pode ajudar a conhecer o território e a aproximar o trabalho das comunidades.

Recursos e materiais

Os recursos previstos apoiam a experiência no terreno, a criação artística e a partilha do trabalho:

  • Gravação e documentação: equipamento de captação áudio, incluindo gravação espacial em formato ambisonic, e meios para produzir registos fotográficos, audiovisuais, escritos e desenhados.
  • Experimentação sonora: dispositivos eletrónicos portáteis, componentes para construção de aparatos sonoros e altifalantes.
  • Criação e performance: interfaces MIDI para explorar e manipular os materiais sonoros, musicais e audiovisuais produzidos.
  • Expressão dramática e sensorial: materiais como tecidos, barro, papel, tapetes, vendas e lápis.
  • Publicação e partilha: um website e uma rádio online previstos para disponibilizar criações sonoras, um podcast e materiais pedagógicos, como e-books e tutoriais.
  • Tecnologia e energia: um servidor baseado em Raspberry Pi, alimentado por painel solar e bateria recarregável, no âmbito da ligação prevista ao Laboratório de Música Solar.

A disponibilidade do website dependerá da energia disponível. Essa condição integra a reflexão pedagógica sobre os recursos que sustentam a atividade digital e as escolhas feitas ao utilizar tecnologia.

WeNature e POLISphone são trabalhos anteriores citados como enquadramento, não produtos já concluídos deste projeto.

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